Suplementação gera benefícios sobre efeitos da quimioterapia

 

 

                                                                         Bianca Balmant, Luís Souza Reis, Marcelo Chacur e Luiz Cunha Filho

 

 

Presidente Prudente, terça-feira 29 de novembro de 2016


Diante da ideia de que a suplementação com L-arginina poderia reduzir efeitos colaterais de pacientes submetidos à quimioterapia com 5-fluorouracil (5-FU), pesquisa científica encontra cinco benefícios: aumento dos neutrófilos, das plaquetas e da concentração do fibrinogênio; não ficaram imunossuprimidos referente à Imunoglobulina A (IgA) e houve redução da perda de peso. No estudo desenvolvido pela nutricionista Bianca Depieri Balmant os resultados surpreenderam, conforme o orientador, o médico veterinário Dr. Luís Souza Lima de Souza Reis. Porém, com o alerta para o seguinte fato: um experimento não confirma em definitivo uma hipótese, mas apenas a coloca em prova. O que significa a necessidade de outros estudos para ratificar ou não tais benefícios.

 
Todavia, os resultados sinalizam para a possibilidade de que a L-arginina, que é um produto encontrado em farmácias com o nome de Targifor, poderá um dia vir a ser usada para melhorar a performance imunológica do paciente em quimioterapia com o 5-FU, uma das drogas mais usadas nos últimos 40 anos e que, exatamente por isso, foi escolhida para o experimento. “A ideia foi analisar se o L-arginina reduziria os efeitos colaterais da imunossupressão, considerando que, quando o paciente chega nessa fase, a terapia tem que ser interrompida, por ficar sujeita a contribuir com outras doenças, plenamente indesejadas nesse momento, já que podem levar a processos infecciosos e inflamatórios”, explica Reis.


 
Quando o tratamento é interrompido, corre-se o risco do tumor crescer novamente. Outro efeito colateral é a redução do número de plaquetas, causada pela quimioterapia. Com menos plaquetas na corrente circulatória, o paciente pode ter hemorragias. Caso seja preciso passar por cirurgia, para retirar o tumor, haverá dificuldade na contenção do sangue fora dos vasos sanguíneos. Para avaliar o efeito do L-arginina, doses foram aplicadas em diferentes quantidades. Pois, diante da hipótese de se encontrar o potencial da suplementação, a pretensão era saber uma possível dose ideal. O experimento foi com ratos wistar, que são de linhagem albina e conhecidos como ratos de laboratório, submetidos à quimioterapia.

 
O potencial foi verificado com a suplementação de 2% de L-arginina, o equivalente a três gramas por dia para o ser humano. Os animais apresentaram aumento na contagem de neutrófilos, que são células de defesa do organismo e atuam como microlitros de sangue. Porém, com a suplementação ficou com 1224, o que é muito próximo dos ratos normais (sem quimioterapia) que apresentaram 1556. Em relação às plaquetas, os ratos submetidos à quimioterapia tiveram 310.8 x10 elevado ao cubo por microlitros de sangue. Também com 2%, as plaquetas ficaram em 767.5, o que representa 147,5% a mais. Ratos normais estavam com 1244 plaquetas.

 
O fibrinogênio, proteína que está no sangue e funciona como barreira para tentar impedir que bactérias se alastrem pelo organismo, na mesma quantidade de 2% de suplementação com o L-arginina, aumentou 233.3% em relação aos ratos normais. Ficou com 525 miligramas por decilitro nos ratos em tratamento quimioterápico, enquanto os normais estavam com 275.  Ainda na mesma dose de 2%, não ficaram imunossupridos em relação a IgA, uma vez que apresentaram 4.78 miligramas por decilitro, enquanto os normais estavam com 3.49. Os IgAs são as primeiras linhas de defesa do organismo, na condição de anticorpos. Além da superfície do corpo, o IgA também está na saliva, nas lágrimas, no tratamento gastrointestinal, no aparelho respiratório e no gênito urinário.
 
Outro benefício encontrado, igualmente na mesma dose de 2%, foi a redução da perda de peso em 209.6%. O benefício gerado com a menor perda de peso decorre de uma melhor disposição do paciente para se locomover. Regra geral, o tratamento com quimioterapia deixa o paciente debilitado por causa da diminuição do apetite e a absorção de nutrientes por conta da inflamação da mucosa gastrointestinal. Assim, acaba ficando muito tempo deitado, gerando feridas pelo corpo. Ao contrário, portanto, com melhor disposição o paciente anda e sai de casa. Isso ajuda no tratamento, gerando melhores condições da pretendida recuperação com o tratamento quimioterápico.

 
A pesquisa da nutricionista e também professora universitária Bianca Depieri Balmant resultou a dissertação do mestrado junto ao Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Ciência Animal, vinculado à Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação (PRPPG) da Unoeste. A defesa pública ocorreu na manhã desta terça-feira (29), com a banca examinadora composta pelo orientador Reis e seus colegas doutores Marcelo George Mungai Chacur e Luiz Fernando Coelho da Cunha Filho, na condição de membro externo, pesquisador vinculado à Universidade do Norte do Paraná (Unopar), em Arapongas. A autora da pesquisa foi aprovada para receber o título de Mestre em Ciência Animal, tendo entusiasmado os avaliadores com seu experimento e deles recebeu elogios pelos resultados produzidos.

 

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