Congresso mobiliza em Prudente pesquisadores internacionais

 

Presidente Prudente, segunda-feira 19 de novembro de 2012

 

A deterioração ambiental resulta em doenças que se desenvolvem de acordo com fatores climáticos, como ocorre com a malária em países de clima tropical. Reside aí uma das relações entre geografia e saúde. Outra exemplificação seria o da predominância de doenças infecciosas transmitidas entre habitantes de centros urbanos, as quais promovem epidemias como a febre-amarela, enquanto que no campo vetores de doenças são agentes parasitários como o fungo causador da micose PCM que tem levado a óbitos trabalhadores rurais. São intercorrências que exigem o emprego de informações geográficas que permitam buscar modelos de qualidade de vida, associados à promoção da saúde, prevenção das doenças e a oferta de assistência médica, inclusive por intermédio de políticas públicas. É a chamada geografia da saúde.

 

Na perspectiva da produção do conhecimento e práticas em saúde, é realizado esta semana em Presidente Prudente o IV Congresso Internacional de Geografia da Saúde. De segunda-feira (19) a quinta-feira (22) na Faculdade de Ciência e Tecnologia (FCT), o campus da Unesp, o evento mobiliza pesquisadores da Alemanha, Austrália, México, Portugal, Cuba, Estados Unidos, Porto Rico e de diversos estados brasileiros. A realização de caráter interinstitucional envolve a Unoeste, através do Mestrado em Ciência Animal, vinculado à Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação. O coordenador do mestrado Vamilton Álvares Santarém e o professor Rogério Giuffrida, ambos médicos veterinários, integram a comissão científica, responsável pela organização e realização do congresso.

 

Em pronunciamento na solenidade de abertura, Santarém disse que o geógrafo é um dos profissionais que melhor sabe ligar dois pontos, como o uno e o universo. Fez referências ao estudo da saúde como unidade mundial de promoção da qualidade de vida, à realidade globalizada e a necessidade de colaboração internacional envolvendo produtores de conhecimento. Em idêntica linha de raciocínio falaram o secretário executivo da Comissão de Saúde e Ambiente da União Geográfica Internacional (UGI) Thomas Krafft, o vice-diretor da FCT Marcelo Messias, o chefe do Departamento de Geografia e organizador do congresso Raul Borges Guimarães, o vice coordenador da Pós em Geografia, Eliseu Savério Sposito, e a coordenadora do Centro de Referência de Saúde do Trabalhador (Cerest/PP), Maria Aparecida Rodrigues.      

 

Pela manhã, Robin Kearms, da University of Auckland, falou sobre paisagem, identidade e bem estar. Para a tarde a programação tinha comunicações coordenadas e à noite palestra com José da Rocha Cavalheiro, da USP em Ribeirão Preto, sobre inovação tecnológica em saúde. O mesmo formato está previsto para os demais dias, com pesquisadores apresentando os seguintes assuntos: regionalização dos serviços de saúde: descentralização ou desconcentração?, saúde e ambiente: doenças emergentes, reemergentes e negligenciadas, equidade e desigualdade em saúde: perspectivas geográficas, cartografia e geotecnologias na saúde: da lente do microscópio ao sensor do satélite, práticas em saúde, epistemologia da geografia da saúde, formação do geografo para a saúde, agenda de pesquisas: quais temas, e geografia da saúde desafios para os próximos 20 anos.

 

O doutor Santarém destacou o fato da FCT/Unesp, enquanto instituição pública, buscar  parceiros na área privada como é o caso da Unoeste, da qual pela manhã também estiverem presentes as doutoras Edilene Mayumi Murashita Takenaka e Alba Regina Azevedo Arana, ambas do Programa de Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional, sendo a última também diretora da Faculdade de Ciências, Letras e Educação de Presidente Prudente (Faclepp). A primeira e a terceira edição do congresso foram no México, a segunda em Uberlândia/MG e a quarta agora em Prudente, sendo que a FCT/Unesp envolve o Programa de Pós-Graduação em Geografia e o Laboratório de Biogeografia e Geografia da Saúde. Os participantes contam com tradução simultânea para as falas em três idiomas: português, espanhol e inglês.

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