Morte do usuário causa a fragilidade do trabalhador do SUS

 

Presidente Prudente, sexta-feira 9 de novembro de 2012

 

Desde 2005, a doutora Sandra Fogaça Rosa Ribeiro (foto) pesquisa o sofrimento psíquico do trabalhador do Sistema Único de Saúde (SUS). Iniciou os estudos científicos a partir de sua formação em psicologia e se fez referência entre os pós-graduados brasileiros que atuam neste segmento. Como tal, sua mais recente produção é a coautoria de capítulo do Livro Trabalho e Estranhamento: Saúde e Precarização do Homem-que-trabalha, lançado neste começo de mês no Congresso Internacional da Associación Latinoamericana de Abogados Laboristas, realizado em Salvador. A morte do usuário fragiliza a tal ponto o trabalhador que o número de suicídios chama a atenção, conforme a pesquisadora. 

 

Em coautoria com o pesquisador da Unicamp, doutor José Roberto Montes Heloani – da Faculdade de Educação, o capítulo tem o seguinte título: O sofrimento do trabalhador do SUS frente a morte do usuário no processo de trabalho interdisciplinar. Sandra Fogaça conta que o trabalhador do SUS se vê impotente por não poder suprir precariedades do sistema, o que resulta na morte de usuários. Na região do interior paulista onde levantou os dados, foram quatro mortes em 2008 e no ano seguinte 22. Um aumento de 450%. Para esse trabalhador fragilizado, o aconselhamento é que seja menos solitário e trabalhe mais em equipe. 

 

Com o apoio da Rede de Estudos do Trabalho (RET) e da Associação para Defesa da Saúde do Trabalho (Adesat), o livro publicado pela Editora LTr tem como organizadores Giovani Alves, André Luís Vizzaccaro-Amaral e Daniel Pestana Mota que dividem a autoria, além de Sandra e Heloani, com Luiz Salvador, Ricardo Antunes, Edith Seligmann-Silva, Jorge Luiz Souto Maior, Maria Elizabeth Antunes Lima, Margarida Barreto, Francisco José Trillo Párraga, Renata Paparelli, Sérgio Augusto Vizzaccaro-Amaral, Olímpio Paulo Filho, Sandro Eduardo Sardá e Heiller Ivens de Souza Natali. O livro resultou de evento promovido pela RET no ano passado, na Universidade Estadual de Londrina (UEL). 

Professora da Unoeste na graduação em Psicologia e no Mestrado em Educação, Sandra Fogaça atualmente desenvolve em seu Projeto de Pesquisa Docente (PPD) estudos sobre o sofrimento psíquico do professor universitário. O trabalho é realizado com atuação do subgrupo de pesquisa composto pelas alunas Kelly Cristina Tesche Rozendo e Delza Macedo, respectivamente da Psicologia e da Educação. Graduada pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), a professora pesquisadora fez mestrado e doutorado na Unesp em Botucatu, com o dissertação voltada ao trabalhador do SUS e a tese centrada na interface do sofrimento psíquico do  trabalhador com o processo de educação permanente.

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