Perfil - Maria Auxiliadora de Freitas Constantino

Presidente Prudente

 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

 

MARIA AUXILIADORA

A eterna primeira-dama*

O destino fez com que a mineira Maria Auxiliadora de Freitas Constantino abandonasse a profissão, assumisse integralmente o papel de mulher do lar e depois se doasse a uma comunidade inteira, com a qual criou um vínculo indissolúvel. Por onde anda é vista como a eterna primeira-dama de Presidente Prudente. 

 

Nascida em Patrocínio, cidade do interior de Minas Gerais e que fica entre Uberlândia e Uberaba, Maira Auxiliadora foi a primeira dos 12 filhos de um casal de agropecuários. Seus pais criaram seis sobrinhos. Era uma família de 22 pessoas, incluindo dois tios solteirões que viviam com seu pai, desde que ficaram órfãos.  

 

Os irmãos e primos cumpriram o primeiro ciclo escolar na escola da fazenda da família. A primogênita formou-se professora na Escola Normal Nossa Senhora do Patrocínio. Também fez contabilidade na Escola de Comércio. Eram os principais cursos que existiam na época, na cidade de 40 mil habitantes. Hoje a população é de 70 mil. 

 

O bom desempenho escolar resultou na contratação de Maria como professora do curso Normal, mantido pelas Irmãs do Sagrado Coração de Maria. Recém formada, já começou a dar aulas. Por vários anos trabalhou em duas escolas. A outra era do Estado. Em 1957 casou-se com o locutor esportivo Paulo Constantino. 

 

Recorda-se que Paulinho – como trata o marido – trabalhava na rádio e estudava contabilidade. Estudaram na mesma escola, ao mesmo tempo; mas em turmas diferentes. Revela que a paixão não foi pelo estudante, foi pelo narrador dos jogos de futebol que atraia a comunidade, praticamente como único programa das tardes de domingo. 

 

O casal teve seis filhas. A mais velha nova e a mais nova nasceram em Patrocínio. Por questão de atendimento médico, duas nasceram em Uberaba e duas em Belo Horizonte. Maria Auxiliadora continuava lecionando. O marido trabalhava na rádio e era corretor de imóveis. Antes de entrar para o ramo de transporte, abriu o Armazém Constantino que vendia secos e molhados no atacado e varejo. 

 

Seu irmão Constantino “Nenê” de Oliveira possuía uma empresa de ônibus e tinha a intenção de ampliar as atividades. Os dois irmãos se juntaram com dois amigos para comprar 50% das ações da Empresa de transporte Andorinha, em Presidente Prudente. O negócio foi fechado no dia 5 de junho de 1967. 

 

Constantino foi designado a administrar a Andorinha. Mudou-se imediatamente para Presidente Prudente. Ficou hospedado no Hotel Peretti. No dia 23 de julho daquele ano, trouxe a família. Foram morar numa casa na rua Joaquim Nabuco, entre a rua Doutor Gurgel e a avenida Washington Luiz. A previsão era de que ficariam dois anos na cidade, onde estão até hoje.  

 

Quando chegaram, a filha mais velha tinha nove anos e a mais nova somente dez meses. A caçula já está com 34 anos. Cinco filhas continuam morando em Presidente Prudente. Uma está em Bauru. Deram aos pais 17 netos. O mais velho está com 20 anos. O mais novo tem cinco anos.  

 

Ao mudarem-se, Maria Auxiliadora largou o magistério. Tornou-se dona de casa. Por quase dez anos cuidou exclusivamente do lar. Em 1976 ocorreu uma reviravolta. Em especial na vida dela. Faltando 45 dias para a eleição municipal, Constantino aceitou disputar a sucessão do prefeito Walter Lemes Soares. Não queria se afastar da Andorinha, mas foi estimulado pela esposa. 

 

Ela conta que a dúvida que atormentava o marido era indício do desejo de ser prefeito. Deu-lhe apoio. Apostou em sua eleição. Foi mais além: assumiu a coordenação da ala feminina. Dividiu a cidade em setores. Visitava casa por casa durante o dia, na região do comício, programado para a noite. 

 

O casal era desconhecido do público eleitor. Nem sabia avaliar se isto era pior do que não conhecer a cidade. A certeza era de que, com a campanha na rua, só restava seguir em frente. Enquanto Constantino percorria um lado da cidade, do outro Maria Auxiliadora chegava a fazer num só dia mais de dez reuniões domiciliares. Em todos os comícios a família estava junta. 

 

A jornada cívica ganhou corpo. Prudente contagiou-se com a mensagem em defesa do progresso. Constantino elegeu-se prefeito. Eram quatro candidatos. Concorreu com Antônio Sandoval Neto (que havia sido prefeito por duas vezes), Nelson Porto Alegre e Neif Taiar.  

 

Maria Auxiliadora assumiu como nunca ninguém havia assumido, a função de primeira-dama. Sua vida mudou de rumo. Mostrou liderança no comando da Assistência Social Municipal. Acabou como assistencialismo, como o da doação de passagens. Passou a oferecer cursos que capacitassem homens e mulheres para o trabalho.  

 

A ação de Maria Auxiliadora ganhou proporções que nem ela imaginava. Caiu no agrada da comunidade. De 1977 a 1981 muito foi feito em prol dos excluídos. Somente em obras, a cidade ganhou a Casa de Repouso Geraldo Ribeiro de Souza, o Centro Comunitário do jardim Colina, o Centro Social do jardim Regina, as creches da vila Formosa e dos jardins Monte Alto e Colina, além de postos de saúde e várias creches em casas alugadas. 

 

Maria Auxiliadora voltou a prefeitura de 1989 a 1992. Durante o segundo mandato de Constantino coordenou as três secretarias atreladas ao Fundo Social: Saúde, Educação e Promoção Social. Além das várias atividades de praxe, implantou o projeto de desfavelamento. Acabou com 12 favelas, criando os bairros Brasil Novo, Km Sete e Chácara Marisa. 

 

Na área da habitação, na primeira gestão criaram cinco bairros populares: Cohab, Cecap, Santa Marta, Jequitibás I e Inocoop. Na segunda gestão construíram mais de três mil casas, criando os bairros Ana Jacinta, Mário Amato e Jardim Belo Horizonte (Sítio São Pedro), além de construir casas populares em Montalvão e Floresta do Sul. Fizeram escolas. Somente os Ciems (Centros integrados e educação municipal) foram oito. 

 

Maria Auxiliadora afirma que o trabalho social representa o aprendizado da universidade que não pode freqüentar. Como a lição da escola da vida somente é ministrada na prática, o que era incumbência de função transformou-se em hábito. Seu papel de primeira-dama está eternizado com a Vila da Fraternidade, a Central de Voluntários e o Projeto Vida.  

 

Em 1997, idealizou a vila. Um local de amparo e convívio de idosos, onde comparece diariamente para responder ao compromisso de coordenadora geral. A vila abriga 40 idosos, com apenas 10% de seu projeto já executado. Obra que nasceu da iniciativa e contribuição pessoal de Maria Auxiliadora que fez da festa de seus 40 anos de casa o motivo para arrecadar R$ 43 mil, ao solicitar dos convidados que no lugar de lembrança material colocasse num envelope certa quantia em dinheiro. 

 

A Central de Voluntários reúne mais de 300 pessoas e tem na presidência sua filha Deise. Grande parte do trabalho é dedicado ao Hospital do Câncer. Outra boa parte vai para o Projeto Vida, destinado à recuperação de dependentes químicos. Maria Auxiliadora, detentora do Troféu Heitor Graça, diz que muita gente contribuiu e contribuí com os seus feitos e os de seu marido. Têm para com estas pessoas uma gratidão tão grande quanto o amor que dedicam a Presidente Prudente, onde vivem com as filhas, genros e netos.

 

*Matéria publicada em 6 de maio de 2000 no jornal O Imparcial de Presidente Prudente. Texto e reportágem de: Homéro Ferreira.

 

 

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