Perfil - Ana Cardoso Maia de Oliveira Lima

Presidente Prudente

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

 

ANA CARDOSO, a Dona

A menina que aos oito anos de idade entregava leite, se fez professora. Iniciou carreira utilizando cavalo como transporte para dar aula em escola rural. Os anos se passaram. Muita coisa mudou. A personalidade e a força de trabalho continuam as mesmas. Ana Cardoso Maia de Oliveira Lima tem posição de comando num dos grandes complexos educacionais do Brasil que é a Universidade do Oeste Paulista (Unoeste). Trabalha cedo, a tarde a à noite. Ainda encontra tempo e disposição para cuidar de sua fazenda. Seu nome é cogitado entre os prefeitos de Presidente Prudente. 

Dona Ana. É assim que a chama. O Dona está incorporado a seu nome. Tem o caráter natural de tratamento honorífico. Um orgulho. Uma satisfação. Nem mesmo seu jeito receoso, mais tímido que para acanhado, a deixa esconder isso. Dona Ana é um mito pelo significativo papel que desempenha na sociedade de Presidente Prudente, ainda que tenha passado grande parte de sua vida atuando nos bastidores. Seu trabalho tem o reconhecimento público. 

Nasceu em Gália, pequena cidade do interior paulista. Fica entre Marília e Bauru. É do dia 13 de março de 1930. é a filha do meio de cinco irmãos. Filhos de Joaquim, um neto de portugueses, e da imigrante italiana Felícia. O pai trabalhava no campo. Ora, lidava com leiteria em sítio arrendado. Ora, administrava fazenda. Desde pequenos os filhos ajudavam na lida do pai.  

Ana estudou o primário em Gália. Fez o ginasial e o normal no Instituto de Educação. Conselheiro Rodrigues Alves, em Guaratinguetá, Formou-se professora no dia 22 de dezembro de 1950. No dia 17 de fevereiro de 1951 começou a dar aulas. Era numa escola rural, a quatro quilômetros da fazenda que seu pai administrava. Ia a cavalo. Alguém precisava lhe acompanhar. Havia o perigo de ataque de algum animal ao atravessar a mata. 

Em 1953, casou-se com Agripino de Oliveira Lima Filho, quando sua família havia se transferido para Garça. Dona Ana já dava aula. Agripino ainda estudava. Também formou-se professor. Dos quatro filhos do casal, os três mais velhos nasceram em Garça. O caçula é prudentino. Os filhos lhe deram 12 netos. O mais velho está perto de completar 20 anos. O mais novo (uma menina) tem pouco mais de um mês de vida. 

Em 1957, Agripino prestou concurso e foi aprovado diretor de escola rural. Assumiu na vila Escócia, em Martinópolis . Lá trabalhou dois anos. Voltava para casa somente nos finais de semana. Até a estação de trem de Osvaldo Cruz eram dez quilômetros. Um trecho que fazia a pé, quando não encontrava carona. Num novo concurso, escolheu Alfredo Marcondes. O casal mudou-se para a cidade onde moraram dói anos. O marido diretor e a mulher professora.  

No dia 25 de janeiro de 1962 mudara-se novamente. Destino: Presidente Prudente. Motivo: os dois se inscreveram no curso de administração escolar. Passados dois anos, ele assumiu a Escola da Vila Charlote, hoje Formozinho Ribeiro. Ela foi a primeira diretor efetiva da Escola do Sete Copa (assim mesmo no singular). Durante quase 17 anos dirigindo escola, Dona Ana trabalhou no jardim Planalto, abrigada em duas salas de madeira. Ficou mais tempo na Escola José Carlos Pimenta, no jardim Paulista. Aposentou-se. 

Antes da fundação da Associação Prudentina de Educação e Cultura (Apec), em 16 de outubro de 1972, o casal juntava professores e alunos para estudar em Dracena e Tupã. Viajavam de ônibus fretado. Foi ai que surgiu a idéia de montar uma escola de ensino superior. Os primeiros cursos autorizados pelo Ministério da Educação e Cultura foram os de Letras, Estudos Sociais e Pedagogia. 

O projeto inicial era reunir 100 quotistas. A Apec começou no Colégio Cristo Rei. Sua sede própria ganhou o primeiro bloco do campus I em 1973. “Nunca mais paramos de construir”, diz. Naquela época, Agripino assumiu a direção geral. Altamiro Belo Galindo era o administrativo. Dona Ana era a secretaria geral. Fala que o crescimento da instituição se deu pela força do trabalho em equipe, na qual mantém antigos funcionários e a eles delega autonomia, o que permite descentralizar a administração. 

Dona Ana revela que a sua maior satisfação é receber notícias de que ex-alunos estão se dando bem na vida. Dez que todos estes anos vem fazendo o mesmo serviço, mas a partir do momento em que Agripino saiu de casa, seu trabalho apareceu. Acha que ficou mais conhecida. Afirma que nasceu professora e vai morrer professora. Sua profissão é uma sina. A avô paterna vaticinou sua sorte assim que nasceu. Cresceu ouvindo seus pais dizerem que seria professora. 

“Gosto de minha missão e me dedico a tudo com muito amor” observa Dona Ana que se reafirma como administradora ao assumir a fazenda que lhe coube na partilha de bens. Hoje, seu rebanho passa de 10 mil cabeças de gado Nelore. Na universidade administra 31 cursos de graduação e vários de especialização e mestrado, além do segundo grau. Trabalha com o ensino, pesquisa e extensão. 

É na área de extensão que presta serviços à comunidade. Dona Ana não gosta de falar do trabalho de benemerência. Revela que qualquer tipo de ataque feito à Unoeste a angustia. “Os que agem assim , normalmente são para atingir o Agripino ou meu filho Paulo enquanto políticos, mas deveriam separar as coisas para dar a Unoeste o respeito que ela merece como instituição que avançará no tempo, sempre servindo a comunidade”.

Política não é o assunto preferido de Dona Ana. Vê com reservas a cogitação de seu nome como candidata a prefeita de Presidente Prudente. Conta que tem recebido convite de vários partidos. Está filiada no PMDB, o partido de seu filho. “Quando cogitam meu nome, o que acho é que a cidade está carente de bons administradores” avalia. Para ela, o outro motivo é a intenção de desestabilizar Agripino Lima que pretende voltar a ser prefeito. 

* Matéria publicada em 7 de maio de 2000 no jornal O Imparcial de Presidente Prudente; reportagem e texto: Homéro Ferreira.

 

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