Morre o jornalista Geraldo Soller, aos 83 anos de idade

 

 

 

Presidente Prudente, terça-feira 20 de janeiro de 2015

 

Homéro Ferreira

Pneumonia que evoluiu para infecção generalizada é a causa da morte do jornalista Geraldo Soller (foto), ocorrida neste feriado municipal consagrado a São Sebastião. Internado na Santa Casa de Presidente Prudente; morreu às 11h40 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O sepultamento ocorrerá nesta quarta-feira (21), às 10h no Cemitério Municipal São João Baptista, na zona sul da cidade. Durante quase 70 anos de exercício profissional prestou relevantes serviços ao oeste paulista.

 

Natural de Pradópolis, no interior de São Paulo, veio para Prudente aos seis anos de idade; no dia 26 de setembro de 1931, sendo o terceiro filho de Miguel Soller e Desolina Polgrossi Soller. Aos 12 anos ingressou nas oficinas do jornal A Voz do Povo. Aos 13 ingressava em O Imparcial, onde iniciou a carreira no dia 3 de junho de 1945, ao produzir uma notícia esportiva a partir de dados coletados numa transmissão de rádio. Prestes a completar 69 anos de casa, Soller escreveu para o jornal até os últimos dias de sua vida, produzindo seu último texto na sexta-feira (16), antes de ser internado.

 

 

Possivelmente foi um recordista em longevidade na profissão e com serviços prestados a uma mesma empresa: o jornal que no próximo dia 2 de fevereiro completará 76 anos e que se consistia em referência como mídia regional, junto a conceituados jornais como A Tribuna, de Santos, e Cruzeiro do Sul, de Sorocaba. Soller viveu, como poucos, fases históricas da evolução tecnológica do meio impresso, desde a composição feita em tipos móveis – que originou os termos caixa alta e caixa baixa para designar letras maiúsculas e minúsculas – até a era digital.

 

 

Se a forma de produzir jornal mudou drasticamente, para melhor, o ofício de produzir notícias manteve-se inalterado. O jornalista sempre foi e continuará sendo um contador de histórias, assim como foi Soller que registrou muitos dos fatos históricos de Prudente e região. Registros que contribuíram, inclusive, para estimular o desenvolvimento local a regional. Sua escrita foi marcada pelo aspecto construtivo, no plano coletivo ou individual. Amava sua profissão, assim como Prudente e à sua querida vila Marcondes, da qual foi pioneiro.

 

 

No noticiário do dia a dia, cuidava dos assuntos de interesse coletivo. Nas crônicas dominicais, praticava o jornalismo literário com as Pinceladas do Cotidiano, falando de pessoas e de questões humanitárias, fato merecedor de produção científica no ano retrasado (2013) na Faculdade de Comunicação Social de Presidente Prudente (Facopp), no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Ana Flávia dos Prazeres e Mariane Rodrigues Vieira, orientado pela doutora Édima de Souza Mattos e Gisele Tomé.

 

 

No jornal, exerceu cargo diretivo por pouco tempo. Foi mesmo jornalista, por opção, convicção, profissionalismo e paixão. Assim se fez realizado, respeitado e admirado pelos colegas e pelos diretores Adelmo Vanalli, Mário Peretti e Deodato da Silva. No rádio também fez de tudo um pouco, inclusive gerente. Foi até escritor da radionovela, um feito que poucos exerceram na cidade, como Joaquim Nascimento e Rubens Shirassu, e, possivelmente, nenhum outro venha a exercer. Entre outros feitos no radiojornalismo, produziu a apresentou o Escaramuça, um programa de debate sobre os problemas da cidade.

 

 

No segmento radiofônico prestou serviços para a Difusora, então conhecida como PR-I 5 A Voz do Sertão; Prudente, que era chamada de ZYR 84; e Comercial. Como assessor em comunicação prestou serviços para órgãos entidades, a exemplo da prefeitura na administração de Walter Lemes Soares, da Associação Comercial e Empresarial e do Sindicato do Comércio Varejista. Atuou como cerimonialista, conduzindo importantes eventos políticos, cívicos e comunitários. Foi rotariano. Tem seu nome perpetuado numa das alas da Santa Casa e numa rua do Parque Residencial Mart Ville.

 

 

Soller e Aparecida Martinez Peretti Soller, agora viúva, tiveram três filhos: Maria Angélica Martinez Soller, jornalista que trabalha em São Paulo; Geraldo Soller Jr, servidor municipal lotado na hemeroteca da Secretaria Municipal de Cultura, e João Miguel Soller, falecido. O neto João Miguel Soller, órfão de pai, estuda medicina na Universidade Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. O corpo de Soller será velado na Casa de Velório Athia, a partir das 17h de hoje (20).

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