Morre aos 72 anos o narrador esportivo Jurandir Gomes

 

 

Presidente Prudente, sábado 15 de novembro de 2014

 

Na manhã deste sábado (15) morreu o narrador esportivo Jurandir Gomes de Oliveira (foto), aos 72 anos de idade. Sua morte ocorreu por volta das 5h30, antes que levantasse da cama; vítima de infarto fulminante. Acometido por um câncer, estava em tratamento de saúde, em sua casa. O sepultamento está programado para este domingo (16), às 8h30 no Cemitério Municipal Campal, antigo Parque da Paz.

 

Chamado de ´´o internacional´´ pelos colegas de Presidente Prudente, onde iniciou e encerrou sua carreira, teve passagens marcantes em emissoras da cidade e de São Paulo, Curitiba, Maringá e Campo Grande, figurando entre os maiores nomes do rádio nas praças onde trabalhou

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Não se firmou numa projeção nacional porque não quis. No auge de sua carreira não deu a si próprio a importância que tinha; optando por curtir a vida a relegar a profissão ao segundo plano. Em 1963, acompanhou a seleção brasileira de futebol no Chile.

 

Jurandir Gomes de Oliveira nasceu em 16 de outubro de 1942, em Porto Real do Colégio, no Estado de Alagoas. Foi o quarto de nove filhos de Maria dos Anjos de Oliveira, sendo seis homens e três mulheres.  Ainda na infância perdeu seu pai Pedro Gomes de Oliveira, assassinado em Maringá/PR.

 

Com a família, veio menino para Presidente Prudente. Foi aluno do Grupo Escolar Professora Marietta de Assumpção, na Vila Industrial, onde morou. Fez o primário e não concluiu o ginasial, hoje equivalente ao ensino médio, no então Instituto de Educação Fernando Costa. Tornou-se autodidata, com admirável vocabulário.

 

Entregou jornais, engraxou sapatos, trabalhou como auxiliar de mecânico na Ford e aos 16 anos jogou nas equipes de base do Corintians prudentino, mas devido a um problema na virilha não pode prosseguir. Então, começou a se interessar pelo rádio esportivo.

 

Nos anos 1960, com o apoio ao então narrador de futebol Tadashi Kuriki – que anos mais tarde foi vereador e deputado estadual e federal – ingressou na primeira emissora da cidade: Rádio Difusora, a PRI-5 A Voz do Sertão. Inspirado em Kuriki, José Italiano, Rosildo Portela, Haroldo Fernandes e Pedro Luiz, fez carreira rapidamente.

 

Aos 19 anos, no início dos anos 60, foi trabalhar em São Paulo. Retornou a Prudente em 1962, quando a Rádio Prudente, então conhecida como ZYR-84, firmou parceria com a Rádio Excelsior de São Paulo, atualmente Rádio CBN e que pertence ao grupo Globo de comunicação.

 

Em 1965 casou-se com Neide Corazza e tiveram duas filhas: Cláudia Gomes de Oliveira (pedagoga) e Raquel Gomes de Oliveira (doutora em matemática). Seguiu carreira pelo Brasil afora e trabalhou com grandes nomes da comunicação.

 

Teve como companheiros nas emissoras, nas quais trabalhou, profissionais conhecidos nacionalmente, como:  Edson Leite, Geraldo José de Almeida, Gil Gomes e Edson Bolinha Cury.  Ao longo de sua carreira, relacionou-se com comunicadores como Fiori Giglioti, Luciano do Vale, Osmar Santos e Galvão Bueno.

 

Entrevistou personalidades notórias da política, a exemplo do senador Ulisses Guimarães e do governador paulista Laudo Natel; e também da música, como os cantores famosos: Clara Nunes, Jair Rodrigues e Nelson Gonçalves.

 

Trabalhou em várias rádios: Difusora, Prudente, Piratininga, Cidade, Diário e Globo, de Presidente Prudente; Excelsior, de São Paulo;  Cultura, de Campo Grande/MS;  Jornal, de Maringá/PR; e  Universo, de Curitiba/PR. Trabalhou na TV Morena, em Campo Grande; e na TV Bandeirantes, em Prudente.

 

Os dados acima são de uma entrevista que a então estudante de jornalismo Marcela Lensoni de Castro Lima fez com Jurandir Gomes, como tarefa da disciplina de Radiojornalismo, ministrada pelo professor Homéro Ferreira na Faculdade de Comunicação de Presidente Prudente (Facopp).

 

Naquela ocasião, questionado sobre saudades, disse que era a de ´´ter vivido numa época em que o rádio era coqueluche; que não havia televisão e os radialistas em vistos com muito respeito e até como ídolos``. Disse também que ´´tanto no rádio quanto em qualquer segmento da vida, ninguém precisa inventar nada; está tudo pronto: resta apenas descobrirmos´´.

 

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