Pesquisa detecta mapa sobre a leishmaniose visceral canina

 

 

                                                                           Loris Daniel, Euribel Carneiro, Jaime Gomes e Marcos Rodrigues

 

Presidente Prudente, sexta-feira 25 de novembro de 2016

 
A região oeste paulista apresentou índice superior a 90% dos casos de leishmaniose visceral canina e humana registrados no Estado em 2014. Fato que motivou a enfermeira e professora universitária Loris Aparecida Felício Daniel a pesquisar fatores ambientais relacionados ao avanço da doença em Presidente Prudente, cidade sede da Rede Regional de Atenção à Saúde (RRAS-11) formada por 45 municípios, dos quais em 26 ocorreu a incidência de cães com sorologia positiva no período de 2010 a 2015. O estudo resultou no mapa prudentino da leishmaniose, com o maior número de ocorrências nas zonas leste, norte e oeste, associadas a três fatores ambientais: bacias hidrográficas, fragmentos florestais e depósitos irregulares de resíduos sólidos.

 
O estudo científico foi desenvolvido junto ao Programa de Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional, ligado à Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação (PRPPG) da Unoeste. A autora da pesquisa foi orientada pelo Dr. Luiz Euribel Prestes Carneiro e apresentou a defesa de sua dissertação na tarde desta quinta-feira (24), perante a banca examinadora formada pelos doutores Marcus Vinicius Pimenta Rodrigues e Jaime de Oliveira Gomes, sendo este membro externo convidado pela Faculdade de Ciência e Tecnologia, campus da Unesp em Presidente Prudente (FCT/Unesp), que elogiou o trabalho e enalteceu  a Unoeste pelo crescente investimento em produção científica.


A abrangência da pesquisa contemplou quatro bacias hidrográficas urbanas, que são as do Cedro, Limoeiro, Cascata e Gramado. São locais que abrigam fragmentos florestais. Por serem áreas de menor densidade demográfica urbana, são as eleitas para depósitos clandestinos de lixo, nas quais a decomposição de material orgânico resulta em criadouros do mosquito-palha que é o transmissor da leishmaniose. Também são áreas de cães errantes, vítimas de abandono e que são contaminados pela doença. São áreas classificadas pelo estudo como fatores de risco para a dispersão da disseminação da leishmaniose.
 
Para autora do estudo e para o orientador, a determinação dos fatores ambientais – que são as bacias hidrográficas, fragmentos florestais e depósitos irregulares de resíduos sólidos, incluindo suas possíveis associações – podem contribuir para o planejamento de políticas públicas eficientes, de intervenção e controle do ciclo biológico da leishmaniose visceral canina. Uma doença crônica e que, se não for tratada, é fatal; que pode ser transmitida de animais para pessoas e, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), está entre as maiores endemias do planeta, sendo que o Brasil  concentra cerca de 90% dos casos da América Latina.


No Estado de São Paulo o primeiro caso de leishmaniose canina visceral ocorreu no ano de 1998, em Araçatuba. Em 2003 houve registro em Dracena e no ano de 2010 ocorreu pela primeira vez em Presidente Prudente, cidade sede de uma região que está no eixo das ligações com o Mato Grosso do Sul e Paraná, numa rota da cadeia epidemiológica da doença. O estudo descritivo e seccional, de acordo com endereços dos proprietários dos animais, apresentou dados oficiais de cães com sorologia positiva. Loris foi aprovada para receber o título de mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional.

 

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