Estudo propõe diretrizes de uso de solo na bacia do Limoeiro

 

 

                        Frois com as doutoras Alba, Encarnita e Edilene  (Foto: João Paulo Barbosa)

 

Presidente Prudente, terça-feira 10 de novembro de 2015

 
Problemas ambientais decorrentes da urbanização na bacia hidrográfica do Córrego Limoeiro são verificados em pesquisa científica, visando propor diretrizes de uso do solo plenamente comprometidas com as questões de recuperação, manutenção e preservação do meio ambiente. A proposta está sustentada em inventário elaborado para compreender os aspectos físicos e geomorfológicos da área estudada, na qual está inserido o Balneário da Amizade.


O mapa com novas diretrizes sugere a criação, em parte da área da bacia, de uma zona de compensação ambiental livre de novos loteamentos e de edificações. Em outra parte, novos empreendimentos, feitos por loteadores, seguiriam uma escala para a taxa de permeabilidade que chegaria até a 50% do percentual não ocupável de um lote para proporcionar condições de infiltração de águas de chuva. Para isso, o padrão de terreno passaria dos atuais 250 m² para 400 m².


O estudo científico e a consequente proposta são do engenheiro civil, arquiteto e urbanista Marcos Rodrigues Frois, produzidos junto ao Programa de Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional, com a orientação da geógrafa Dra. Alba Regina Azevedo Arana e vinculado à Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação da Unoeste. A pesquisa, nos moldes de estudo de caso, teve seus resultados divulgados na manhã desta terça-feira (10) durante a banca de defesa pública da dissertação.


 
No aspecto legal, o estudo apresentou critérios de proteção ambiental adotados pelo Plano Diretor Municipal de Presidente Prudente, desde sua discussão nos anos 60, passando pela consolidação nos anos 70, até chegar à sua primeira revisão nos anos 90. Em que pese algumas medidas adotadas, prevaleceram os interesses econômicos dos que promoveram a expansão imobiliária que até os anos 70 era compacta, com o crescimento no entorno das vilas Marcondes e Goulart (centro).



A partir dos anos 70, o crescimento passou a ser rarefeito e nos anos 80 se tornou mais agressivo, sendo deixados, propositadamente, espaços vazios; com o objetivo de promoção da especulação imobiliária. Embora a verticalização tenha apresentado edifícios de pequeno porte já nos anos 30, também foi a partir da década de 80 que surgiram os prédios maiores, predominando os de apartamentos. Os loteamentos fechados começaram a ser instalados na década de 70 e desde os anos 2000 se multiplicaram pelo entorno da cidade.


 
Em várias ocupações do solo houve a supressão de nascentes, fato gerador de problemas que se manifestam a cada chuva, com o brotar das águas. Na bacia do Córrego do Limoeiro, mais especificamente no sentido norte do Balneário da Amizade, os maiores impactos ambientais decorreram das criações de novos bairros, como são os casos do Residencial Maré Mansa, Parque Imperial e Jardim Novo Bongiovani. Sequer foi levado em conta o fato de o balneário ser uma das três fontes de abastecimento de água da cidade. A primeira é o Rio do Peixe e a segunda é a represa do Rio Santo Anastácio.

Conforme Frois, existe fragilidade na legislação que permite a expansão urbana sem um rigoroso controle, especialmente sobre as questões ambientais. Daí a proposta de um novo zoneamento, com o que manifestou concordância a pesquisadora Dra. Encarnita Salas Martin, na condição da avaliadora da dissertação, convidada junto à Unesp em Presidente Prudente. Para ela, o empreendedor de novos loteamentos faz o mínimo do mínimo, chega a tapar nascentes com a retroescavadeira mesmo sabendo que o futuro morador terá problemas.



Na banca examinadora, juntamente com as doutoras Encarnita e Edilene Mayumi Murashita Takenaka, Alba classificou como importante receber no Programa de Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional um engenheiro, arquiteto e urbanista que pensa na cidade ambientalmente. Frois foi aprovado para receber o título de mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional, outorgado pela Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação da Unoeste. A defesa pública de sua dissertação foi acompanhada por familiares, amigos e estudiosos do meio ambiente.

Este é um projeto educacional sem fins lucrativos.
Ajude-nos a manter este projeto em funcionamento.
Doar