Estudo analisa uso do celular em prática do ensino superior

 

Presidente Prudente, terça-feira 14 de junho de 2016


Há mais de duas décadas lecionando na educação superior, o docente de cursos de gestão José Vorlei Guimarães Martins (foto) sentiu-se instigado sobre as dificuldades nas relações de professores e alunos da chamada geração Y, que tem as tecnologias móveis praticamente como uma extensão do corpo, especialmente o telefone celular. Então, em seu estudo científico de mestrado, fez a opção de analisar o uso do celular em práticas de ensino. Promoveu quatro experimentos com alunos de um colega de profissão, numa instituição na cidade de Lins (SP). A constatação foi de que os projetos com o uso de tecnologias móveis apresentaram bons resultados.


Um dos experimentos foi um jogo de palavras cruzadas, com o tema signos da comunicação. Outro consistiu numa competição pelo Whatsapp, na qual o professor fez perguntas para grupos de alunos que tinham um tempo para responder; o mesmo ocorrendo quando alunos perguntaram para alunos, dispostos em diferentes espaços físicos. Um terceiro foi o vídeo Stop Motion; o único que não se mostrou tão interessante. Por fim, um jogo de perguntas e respostas para questões com opções alternativas; cada uma em nada mais que 1 minuto.


Dentre os resultados encontrados, favoráveis aos processos de ensino e de aprendizagem, estão os de que os alunos saíram da passividade e um exemplo foi o de buscar ajuda de colegas da área da informática para poderem desenvolver os jogos; tornaram-se mais organizados e passaram a compreender melhor a construção do próprio conhecimento; melhoraram o trabalho em equipe e eliminaram a distância entre suas moradias ao se manterem conectados; e alcançaram a emancipação, ao se fazerem protagonistas de suas próprias ações.


Os grupos envolvidos apresentaram 59% dos alunos do sexo feminino; sendo mais de 79% da geração Y, com idades entre 18 e 24 anos. Mais da metade (51%) usaram smartphones, sendo 90% com o sistema operacional Android. Os usos de redes sociais apresentaram 36% no Facebook e 20% inseridos em grupos de Whatsapp. Porém, o pesquisador estima que nesses dois itens possa ter ocorrido sonegação de informação, diante do histórico de não poder usar o celular em sala de aula. Foram 75% que demonstraram total afinidade com os dispositivos móveis e 25% revelaram que são habituais navegadores.


Diante dos resultados obtidos, Martins entende que as metodologias de ensino e da aprendizagem devem contemplar as novas tecnologias para trabalhar com a geração multimídia; que, embora imediatista e impaciente, se apresenta disposta a desafios. Para ele, novas propostas pedagógicas devem levar em consideração as centenas de aplicativos disponibilizados gratuitamente pela internet, desenvolvidos para promover habilidades e competências dos alunos. Porém, exigem mudanças no papel do professor, de tal forma que a formação docente, seja inicial ou continuada, deve proporcionar e preparar para utilizar tecnologias móveis.


Martins recebeu orientação da Dra. Adriana Aparecida de Lima Terçariol, pesquisadora e líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação, Currículo e Tecnologias (GEPECeT), no Programa de Mestrado em Educação da Unoeste. A defesa pública da dissertação que produziu foi feita na tarde da segunda-feira (13), perante a banca examinadora formada pelas doutoras Raquel Rosan Christino Gitahy e Ana Maria Osório Araya, da Unesp em Presidente Prudente. Martins foi aprovado para receber o título de mestre em Educação, outorgado pela Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação da Unoeste.
 

Este é um projeto educacional sem fins lucrativos.
Ajude-nos a manter este projeto em funcionamento.
Doar