Cidade democrática é a que dá sentido a ocupação dos espaços

 

Presidente Prudente, quinta-feira 24 de outubro de 2012

 

Temas com estreitas relações com cidadania foram tratados em duas de quatro mesas redondas do 17º Encontro Anual de Ensino Superior (Enapi), realizadas nesta quarta-feira (24) no anfiteatro Primavera, no campus II da Unoeste. Foram as mesas sobre ´Democracia urbana e cidadania: da fragmentação à totalidade` e ´A formação da identidade profissional buscada pelo pedagogo: ontem e hoje`.

 

As exposições no segmento da democracia urbana apresentaram realidades de cidades brasileiras, porém com focos em Vitória e Presidente Prudente. Na capital capixaba o serviço de georreferenciamento oferece a fragmentação de dados disponíveis numa base informatizada que contempla a totalidade, promovendo a transparência e abrindo espaço para a intervenção pública junto ao Plano Diretor.

 

A gerente de Geoprocessamento da Secretaria da Fazenda da Prefeitura, Joseanny Gomes Poltronieri Pereira mostrou a importância do Banco de Dados Georreferenciado da Prefeitura de Vitória (BDGPV), implantado em 2009. O acesso disponibilizado na internet permite que se tenha rica gama de informações, que vai da localização de um bueiro até o vídeomonitoramento utilizado pela guarda municipal.

 

A plateia – em sua maioria formada por alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo – acompanhou com especial atenção como uma cidade pode ser mapeada em praticamente todos os seus fragmentos e estimar o quanto isso de tem de importância para a totalidade, no aspecto da democracia urbana e cidadania. Na sequência, o procurador do Estado em Prudente, José Roberto Fernandes Castilho, promoveu uma reflexão sobre a democracia urbana e cidadania.

 

Os estudantes mantiveram a mesma atenção. Castilho criticou a inércia dos gestores públicos e também de grande parte da população como responsável pela segregação sócio-especial urbana. Ainda que o grave problema não seja específico de Prudente, apontou a recente ampliação da demarcação da zona urbana em mais de 30 mil quilômetros quadrados, o que pode permitir loteamentos sem qualquer infraestrutura.

 

Citou as construções de 3,4 mil casas populares na zona sul, uma área de poucos recursos em infraestrutura, que pode oferecer energia elétrica, abastecimento de águam coleta de esgoto e pavimentação asfáltica, mas que não terá serviços suficientes de escolas, creches e unidades de saúde, entre outros. Classificou os condôminos fechados como espaços de autosegregação.

 

´´Além da fragmentação, os condomínios quebram a cidade. Não permitem a articulação do sistema viário``, disse o procurador e fez várias outras considerações. Também falou sobre o fenômeno da cidade ilegal, em que as ocupações desordenadas resultam em favelas ou cortiços. Pontuou que se nos casos anteriores o poder público foi conivente, sobre a cidade ilegal não foi previdente e nem competente.

 

São assuntos que receberam ampla abordagem e estiveram atrelados ao tema `Universidade sem Fronteiras: da fragmentação à totalidade`, que norteia o Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, o Enepe 2012, do qual a Enapi faz parte. O debate após as exposições envolveram as doutoras Sibila Corral de Area Leão e Lúcia Maria Gomes Corrêa Ferri. A pró-reitora da Pesquisa e Pós-Graduação, doutora Zizi Trevizan acompanhou parte das exposições.

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