Jornada e projetos em presídio estimulam protagonismo social

 

 

Marabá Paulista, terça-feira 6 de setembro de 2016

 

A Penitenciária João Augustinho Panucci se insere no projeto Jornada da Cidadania e Empregabilidade, da Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo. Ao realizar nesta terça-feira (6) a sua primeira jornada a direção do presídio, localizado na zona rural de Marabá Paulista, apresentou projetos que desenvolve com o mesmo objetivo do evento, que é o de ofertar aos reeducandos serviços essenciais que possam servir como auxílio na retomada da vida em liberdade. A Unoeste mais vez, fez valer seu compromisso com a responsabilidade social, realizando testes de acuidade (foto) visual para 34 sentenciados com sinais de alguma deficiência em enxergar.

Estudantes da Faculdade de Medicina de Presidente Prudente (Famepp/Unoeste), orientados e acompanhados pela professora Luciana Álvares Calvo, constataram nos testes que nove precisam de exame clínico com urgência e outros dez devem entrar na fila de espera do setor de saúde pública. O atendimento foi feito durante a manhã na área de educação escolar, enquanto ocorria a abertura da jornada em uma área interna do presídio, na qual estavam expostos em painéis os projetos de assistências jurídica, social, educacional, médica, saúde, empregabilidade, religiosa, produção de mudas de arvores e laborterapia, além de serviços como o de produção de sacolas personalizadas para lojas, confeccionadas em papel.

Implantada no ano de 2014 em Tremembé, a jornada foi sendo adotada, gradativamente, por outras unidades prisionais. Atualmente alcança mais de 100 unidades e para 2017 deverá ser transformada em política de gestão penitenciária estadual, conforme disse em pronunciamento público o servidor do Grupo de Acolhimento e do Núcleo do Centro Regional de Qualidade de Vida e Saúde do Servidor, Alessandro Aparecido Rampasso, que no ato representou o diretor da Coordenadora das Unidades Prisionais da Região Oeste (Croeste) Roberto Medina. Disse ainda que a jornada tem possibilitado estabelecer vínculos com instituições parceiras nas três esferas de poder: municipal, estadual e federal.

A realização pela Secretaria de Administração Penitenciária ocorre através do Grupo de Capacitação e Aperfeiçoamento e Empregabilidade (GCAE) da Coordenadoria de Reintegração Social e Cidadania (CRSC), em parceria com as coordenadorias regionais de unidades prisionais. São parceiras as secretarias de governo da justiça e cidadania, emprego e relações do trabalho, educação e da segurança pública. Também estão envolvidos o Tribunal de Justiça, Defensoria Pública, Ministério Público, Polícia Militar e Receita Federal, além de parceiros locais/regionais como prefeituras, igrejas e instituições de ensino superior, entre as quais está a Unoeste, por intermédio da Pró-reitoria de Extensão e Ação Comunitária (Proext).

A jornada oferece um mutirão de ações para a população carcerária, entre as quais estão a confecção de documentos básicos, a exemplo das carteiras de identidade e do trabalho, para o recomeço de vida depois de cumprir e pena. São oferecidos ainda atendimentos médico, social e psicológico, além de outros. O diretor do presídio de Marabá Silvio João Gonçalves disse que ao sistema prisional cabe cumprir a lei de execução penal, fazer valer o direito e cuidar dos aspectos assistenciais; no que o trabalhador do sistema se empenha com gosto e satisfação, dentro do princípio da dignidade da pessoa humana. 

A cerimonia de abertura proporcionou aos participantes uma visão geral do que é a jornada e dos projetos em desenvolvimento no presídio de Marabá, nas falas de Rampasso e Gonçalves, bem como as do prefeito da cidade Hamilton Cayres de Sales, coordenador regional da Fundação “Professor Doutor Manoel Pedro Pimentel (Funap) Milfran Meloti Evangelista, presidente da subseção 64 da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Presidente Venceslau Roseli Oliva, e diretora da Escola Técnica (Etec) “Professor Milton Gazetti”, também de Venceslau, Cibele Regina Rondó.

Além dos oradores, fizeram parte da mesa o delegado seccional de polícia Mauro Shiguetoshi Chyoada, o representante do 42º Batalhão da Polícia Militar sargento José Fábio Nicoleti, a representante da Coordenadoria de Reintegração Social Renata de Cássia Palopoli e Silva e o representante da Receita Federal, Luiz Humberto José de Novaes. Dois reeducandos também falaram na solenidade, sendo um deles formado monitor da Funap e que agradeceu pela perspectiva de vida e do protagonismo social, finalizando com o poema Invictus, adotado por Nelson Mandela na prisão como inspiração.

Invictus é um pequeno poema do inglês Willian Ernest Henley, que nas últimas quatro frases diz o seguinte: “Não importa se o portão é estreito. Não importa o tamanho do castigo. Eu sou o dono do meu destino. Eu sou o capitão da minha alma”.  Outro deles “emprestou” a obra de Fênix Faustine, O mais forte: “ Dizem que o ferro é forte, mas o fogo derrete o ferro. Dizem que o fogo é forte, mas a água apaga o fogo. Dizem que a água é forte, mas o vento espalha a água. Dizem que o vento é forte, mas a montanha espalha o vento. Dizem que a montanha é forte, mas o homem derruba a montanha. Dizem que o homem  é forte, mas a morte derruba o homem. Dizem que a morte é forte, mas Jesus venceu a morte”.

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