Dirigente sindical avalia os números do Enem

 

 

Os númerois do Enem

 * Benjamin Ribeiro da Silva

 

 

Os resultados do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), divulgados recentemente, confirmam uma tendência verificada nos últimos anos, não só em São Paulo como em todo o território nacional. Os dados do governo revelam amplo predomínio das escolas particulares sobre as públicas. Os números mostram bem o abismo existente entre as duas redes de ensino, principalmente na região sudeste do país com destaque para São Paulo.

 

Em princípio não concordamos com a divulgação das notas e o ranking promovido pelo MEC, pois os alunos que participam de cada escola não representam necessariamente a média geral, porque a prova é voluntária. Só 8% das escolas colocadas no topo da lista pertencem à rede pública, o que evidencia a esmagadora superioridade das particulares. É preciso entender que a escola privada tem muito a colaborar com a inteligência do país e com o próprio desenvolvimento da escola pública e não pode ser discriminada  nem tratada como elite por alguns setores do governo.

 

Como se pode notar, a superioridade da escola particular é flagrante e mostra o acerto da orientação pedagógica no segmento particular de ensino. É lógico que o resultado nos dá uma satisfação muito grande, mas, ao mesmo tempo, nos causa preocupação, pois almejamos um ensino brasileiro de qualidade, porque temos que pensar nas gerações futuras. Como já tive a oportunidade de afirmar por várias vezes, entendo que a educação não é pública nem particular, ela é da Nação brasileira e, portanto, deve ser uma preocupação de todos nós.

 

Nós, da escola particular, buscamos incessantemente aprimorar nossos métodos de ensino, trazendo novas tecnologias e ensinamentos adquiridos inclusive em outros países. Queremos colocar toda essa experiência à serviço da educação brasileira, mas para isso precisamos ser ouvidos pelos formuladores da política educacional do país. Não podemos ser vistos como inimigos, mas sim como parceiros e aliados nessa árdua tarefa de elevar a qualidade do ensino. Além disso, somos agravados com uma carga tributária cada vez mais injusta e abusiva, diferentemente do que acontece em muitos paises do mundo.

 

Por não aceitar a forma como o governo federal avalia o ensino ministrado nas escolas públicas e particulares, o Sieeesp decidiu usar meios próprios para realizar essa avaliação. Para o trabalho foi assinado um convênio com o Inade (Instituto de Avaliação e Desenvolvimento Educacional), entidade com nove anos de experiência e que já realiza programas semelhantes em aproximadamente mil escolas particulares brasileiras. Entendemos que o principal não é o ranking das escolas, mas sim a fixação de metas de trabalho, estabelecidas a cada ano, inclusive em ação conjunta com professores e pais de alunos. Ficar só na divulgação de resultados não leva à melhoria do ensino. E a nossa meta é a qualidade da escola brasileira.

* Benjamin Ribeiro da Silva é presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo : e-mail        Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. 

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