Vários perfis de motoboys em Prudente

 

Presidente Prudente

Quarta-feira, 1º de julho de 2009 

Nesta vida de estudante, já vivi algumas situações curiosas. Uma delas diz respeito a minha experiência com motoboys. Sempre que não quero incomodar os amigos ou quando me dou conta de que o “busão” na me levará ao meu destino no tempo do qual disponho, é a eles que recorro. Dia desses, me dei conta de que existem vários tipos desse espécime. Acredita? Pois se não, vou apontá-los!

·  Há o politicamente correto:

É aquele que respeita toda e qualquer lei de trânsito. Até aí, tudo bem, afinal eu sou jovem demais para morrer numa “costurada” qualquer de um motoboy insano. Mas tudo muda de figura se tenho pressa e estou atrasadíssima para aquele compromisso inadiável. Bom, nesse caso, ele ganha minha ira. Por quê? Oras! A impressão que tenho é a de estar a 20km/h, onde até a “vovozinha” com seu fusca velhinho me ultrapassa... Talvez ele me considere frágil, por ser mulher e por isso decida por fazer um tour pela cidade. Talvez.

·   Há o “tagarela”:

Olha, não sei se o meu mau-humor é tão grande assim, ou se de repente tenho algum problema de audição. Talvez não tenha coragem o bastante para ouvir o que ele tenta me dizer e, ao mesmo tempo, prestar atenção na “fininha” que acabou de tirar do espelho retrovisor daquele Sportage.  Simplesmente não entendo a necessidade de conversar tanto (e olhando para trás ao invés de olhar para o trânsito!!!). Conclui, com meus botões, que deve ser carência afetiva. Ele necessita ter contato, ou simplesmente sua “corrida” não valeu à pena. Muitas vezes eu nem compreendo o que diz, mas concordo com a cabeça, para não contrariá-lo. Imagina se ele decide fixar o olhar em mim mais do que cinco segundos? Isso pode me custar uma bela cicatriz na testa ou algumas gramas de massa encefálica a menos...

· Tímido:

Mal te olha quando sobe na traseira da moto. Mal se mexe quando ultrapassa aquela fila de carros. Ele apenas segue o trajeto informado. Confesso que gosto desse tipo. Não me desperta desconfiança, ao menos.

·  O sovina:

Nunca dá desconto. Mesmo que te leve para cima ou para baixo todo santo dia. Como desculpa diz que o patrão não “deixa”. É um capitalista de quinta categoria, convenhamos.

·  O tarado:

Preciso dizer algo? Tenho pavor desse tipo de criatura. Imagine só. Você, de noite, num lugar abandonado, liga para um estranho (e reza para ser do tipo tímido ou até mesmo tagarela...). Seu único pensamento é que ele te leve para casa. Por alguns minutos, sua vida está em cima das rodas que um doido qualquer está pilotando. Enfim, ao chegar te olha de cima em baixo, como cão faminto. Seu desejo? Vontade louca de sair correndo no rumo contrário ao que ele está.

·  O apressadinho:

Você jura que não sai viva da corrida. O cara sabe-se lá porque, sai zig-zagueando entre os carros sem nem ao menos encostar no bendito espelho retrovisor! Tua sorte é que o anjo da guarda de ambos está com os documentos em dia, ou certamente teria o crânio rachado ao meio.

·  O bonzinho:

Gente boa. Ele te leva aos lugares sem deixar os ponteiros do velocímetro enlouquecidos. É sensato, pois pergunta primeiro o que você quer dele. Pergunta se está atrasada e pede autorização para acelerar. E o melhor de tudo é que dá um descontinho se escuta aquelas desculpas esfarrapadas, do tipo “Moço! Eu sou estudante, vivo com a corda no pescoço...”. Ele ri e dá lá seus dois reais como “brinde”.Bom, poderia enumerar mais alguns, mas em grande parte são variações dos que já mencionei. Não tenho preconceito algum com a categoria. Muito pelo contrário. Eles são a minha salvação quando preciso chegar mais cedo à faculdade, ou quando preciso ir à reunião escolar do meu filho e voltar em tempo recorde para trabalhar. E claro, eu tenho o meu moto-boy preferido.  Mas que ele nem sonhe, ou para de me dar descontos “espertos” e resolve se “achar”. 

Por Iara Valiente30/06/09   

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