Pesquisador acredita em revolução na produção de alimentos

 

 


 

 Presidente Prudente, segunda-feira 2 de março de 2015



O Brasil poderá triplicar a produção agropecuária no dia em que recuperar 50 milhões de hectares de pasto degradado. Estudos científicos indicam a aplicação do método que integra lavoura, o que possibilitará duplicar a produção de grãos. Há também possibilidade de integrar floresta, aumentando ainda mais o ganho econômico do agropecuarista. Pioneiro em pesquisas sobre a Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (iLPF), desenvolvidas inicialmente pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), João Kluthcouski, mais conhecido como João K, afirma que o método vai transformar-se na maior revolução da história mundial e enaltece a Unoeste por estar plenamente inserida nesse contexto.

Ao lado de instituições de ensino superior públicas, como USP e Unesp, a Unoeste se posiciona como referência nacional quando o assunto é recuperação de solos arenosos. “É realmente a líder. É a que mais conhece e debate sobre o assunto. Nos três últimos anos realizou três fóruns, fez pelo menos uma dúzia de dias de campo e promoveu o 1º Simpósio Brasileiro de Solos Arenosos. É a instituição que possui notável grupo de pesquisadores envolvidos no processo, juntamente com estudantes em diferentes níveis. É a única que oferece curso específico na área de iLPF, especialização coordenada pelo professor doutor Edmar Moro”, comenta.



O envolvimento de estudos ocorre com a iniciação científica na graduação, passa pela especialização na pós lato sensu e chega ao Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Agronomia, mantido junto à Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação, que oferece mestrado e doutorado. Pesquisador vinculado à Embrapa Cerrados, de Planaltina no Distrito Federal, João K esteve sexta-feira (27) e sábado (28) em Presidente Prudente, para ministrar aulas na especialização. No primeiro dia foram aulas teóricas, no campus II. No segundo dia os estudantes se envolveram em atividade prática, na fazenda experimental da Unoeste, em Presidente Bernardes.



Para o Dr. João K não existe outra saída para o agropecuarista que não seja aderir à iLPF. Porém, é necessário que mude de mentalidade e deixe de ser resistente às tecnologias. “Se não integrar, vai entregar”, adverte e pontua algumas das principais vantagens do método integrado de produção de carne, leite, grãos e madeira. A correção de áreas degradadas é um deles, resultando em boa produtividade. No aspecto social, gera emprego e mantém as famílias no campo. Quanto ao fator econômico, não é apenas o boi para vender. O efeito da seca é menor, pela retenção da umidade com matéria orgânica, pelo sistema de plantio direto da pastagem e grãos, especialmente soja e milho.

Há ainda a vantagem ambiental.  “A integração é a melhor forma de reduzir o aquecimento global, em função de: a planta é a única forma de retirar o carbono da atmosfera. Além do que, quem tem braquiária não tem erosão, reduz as plantas daninhas e o uso de agrotóxico”, pontua.  Benefícios agronômicos e ecológicos estão no fato de que as forrageiras melhoram todas as propriedades do solo: física, química e biológica. “No mais, a iLPF é como se fosse a melhor cachaça da face da terra: vicia e a pessoa não consegue mais sair dela”, exemplifica para dizer que a expectativa de aumento de aplicação do método, por conta dos bons resultados.



Iniciada no fim dos anos de 1970 e depois de ficar um tempo adormecida, a iLPF foi retomada nos anos 1990 e atualmente ocupa 2 milhões de hectares dos 55 milhões  das culturas de grãos e 200 milhões da área de pastagem. Todavia, gradativamente vão ocorrendo novas adesões, acontecendo no de Estado de São Paulo onde já pelo menos 10 mil hectares, dos quais parte na região de Presidente Prudente que possui cerca de 30 agropecuaristas inseridos no contexto da integração, de Rancharia a Presidente Epitácio.

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