Bioestimulante faz aumentar produção de flores em calêndula

 

                                                                                                                                                                 Foto - João Paulo Barbosa/AI
 
                                                                                                Vivian com os doutores Ana Cláudia, Ceci e Castro

 

Presidente Prudente, segunda-feira 17 de dezembro de 2012 

 

Desenvolvido para apurar resultados da aplicação de bioestimulante no cultivo da calêndula, experimento apresenta melhor resultado na produção de flores. Em outras análises os resultados não foram significativos. Uma delas foi sobre o crescimento das plantas. Aplicação, quantidade, a forma de aplicar, prazos, tempo e temperatura influem nos resultados. Assim, pode ser que pesquisa com outros tratamentos e condições diferentes apresentem outras consequências.

 

´´Ação de bioestimulante no crescimento, desenvolvimento e teor de flavonoides em calêndula (Calendula officinalis L.)`` consiste no tema de dissertação no Mestrado em Agronomia da Unoeste, resultante do experimento realizado pela nutricionista Vivian Pupo de Oliveira Machado, formada na mesma instituição, onde foi a melhor aluna da turma de 2003. Na manhã desta sexta-feira (14), tornou público os resultados, ao fazer a defesa de seus estudos científicos.

 

Foi aprovada, avaliada pela banca composta pelos doutores Ana Cláudia Pacheco Santos (orientadora), Ceci Castilho Custódio e Paulo Roberto de Camargo Castro, convidado junto a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, a Esalq/USP de Piracicaba. Durante as arguições, o membro externo disse que a forma da aplicação, por si só, pode apresentar resultados diferentes.

 

Com experiência acumuladas nessa área, Castro contou que o mais comum entre os pesquisadores é fazer a aplicação na semente ou bem no início do crescimento da planta. Comentou que o Stimulate, da linha Stoller – utilizado em diferentes doses na pesquisa da nutricionista – tem apresentado resultados mais expressivos nas leguminosas, como é o caso do feijão, promovendo o aumento de produtividade entre 10% e 20%.

 

Para o avaliador, a pesquisadora trabalhou adequadamente e fez um trabalho bem feito, independente dos resultados, se foram significativos ou não. Apontou para o fato de que o tema foi bem escolhido, ao eleger a palavra estimulante e não regulador de crescimento, já que no seu experimento não buscou resultado único, embora tenha encontrado resposta positiva somente na produção de flores. O Stimulate tem em sua composição citocinina, auxina e giberelina.

 

A citocinina atua como regulador de divisão celular, a auxina é o hormônio do crescimento e a giberelina regula a altura dos vegetais. Para avaliar a eficiência do bioestimulante existem vários fatores que causam interferências, como a concentração da dosagem, o estágio de desenvolvimento – com aplicação antes ou depois da floração, a parte da planta – folha ou semente, e fatores ambientais – chuva, seca, irrigação, altitude, calor, frio...

 

Vivian desenvolveu o experimento na Multiflora, na cidade de Avaré (onde mora). Elegeu a calêndula, de origem nas Ilhas Canárias, por ser uma cultura que se adaptou bem ao Brasil, devido as condições climáticas. Tem relação íntima com o sol. Suas flores, de coloração amarelo alaranjada, abrem ao nascer do sol e se fecham ao por do sol. Utilizada nas indústrias alimentícia (corantes), cosmética (cremes, xampus e sabonetes) e fitoterápica (cicatrizantes, entre outros), sua cultura é favorável à prática da agricultura familiar, em razão de que a colheita é manual.

 

O experimento passou por algumas intercorrências. O primeiro plantio se perdeu com as pragas. O segundo elevou o ciclo de quatro para oito meses, de janeiro a setembro de 2011, possivelmente devido às sequências de chuvas e tempo nublado em Avaré, com muito vento e pouco sol. Foram dez dias seguidos de pulverizações, após 20 dias do transplante das mudas do isopor para vasos. Foram utilizados de zero a 15 ml de solução por litro. As análises ocorreram com 30, 60 e 90 dias, em seis trabalhos com oito repetições.

 

Houve análise na fase reprodutiva (florescimento), sobre altura, número de folhas e massa seca de raiz e da parte aérea. Como resultado para discussão, a constatação foi de que a aplicação de bioestimulante em calêndula, via pulverização foliar, não foi eficiente em aumentar o crescimento vegetativo das plantas e o teor de flavonoides (grupo de metabólicos secundários) totais presente na florescência.  Realizada no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Agronomia, mantido pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, a pesquisa apresentou melhor desempenho para as flores, com colorações diferentes e a maior sendo do tamanho da palma da mão.  

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