Adubação da variedade de cana 7515 é avaliada no 1º corte

                                                                                                                                   

                                                                                                                                                                 Foto -  João Paulo Barbosa/AI

                                                                                                              Oliveira, Calonego, Brancalião e Tiritan

 

 

Presidente Prudente, terça-feira 11 de dezembro de 2012

 

Um canavial no Brasil costuma ter seis anos de vida, de tal forma que são feitas cinco colheitas. São chamadas de cortes. O primeiro é conhecido como cana planta. O segundo é a cana soca e do terceiro em diante ressoca. Pesquisa sobre adubação da cana planta, desenvolvida na Unoeste com a variedade RB86-7515 – a mais cultivada na região de Presidente Prudente – revela que no solo em condição ideal o Fosfato Natural Arad (FNA) 100% é a adubação mais barata. O custo cai pela metade se comparado à aplicação do Supersimples (SS) 100%.

Com ou sem o emprego da torta de filtro, subproduto da cana utilizado como componente orgânico na fertilização do solo, o custo do FNA 100% sai por R$ 429 o hectare. O SS 100% fica em R$ 858. A composição SS 66% e FNA 33% custa R$ 707,99 e na inversão dos percentuais são R$ 566. A pesquisa desenvolvida pelo engenheiro agrônomo Leandro de Oliveira levou em conta outros parâmetros e foi realizada para dar sustentação a sua dissertação de mestrado e com o envolvimento de alunos da graduação em Agronomia, inseridos na iniciação científica.


O experimento foi baseado em fosfatos naturais e fosfatos totalmente acidulados, incluindo a adubação orgânica como alternativa para diminuir a fixação do fósforo pelo solo. O ponto de partida foi a função do fósforo na planta, levando em conta a formação de proteínas, processo de divisão celular, fotossíntese, respiração, formação e armazenamento de energia. Fato elogiado pelo avaliador externo, doutor Sandro Roberto Brancalião, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) e do Instituto Agronômico de Campinas (IAC).


Seu entendimento é de que a adubação fosfatada deveria ser mais utilizada, não somente pela questão ambiental. Sobre este e outros aspectos, defendeu cultivadores de cana com nova mentalidade. “Os que aí estão, predominantemente, mantém o pensamento de 15 a 20 anos atrás”, disse ao constatar bons resultados em produtividade no experimento a campo feito por Oliveira, com o mínimo de 126 toneladas por hectare, sendo que a média da região é de 120. Para o autor da pesquisa, o fator chuva contribuiu na obtenção de bons resultados nas diferentes formulações com quatro repetições e oito subparcelas em cada uma, perfazendo 32 subparcelas.

No período choveu 1.679 milímetros, ante a média de 1,2 mil. O cultivo no Campo Experimental da Unoeste, no campus II, ocorreu de 4 de março de 2011 a 10 de maio de 2012. A primeira de três avaliações ocorreu com 146 dias, a segunda com 244 e a terceira com 432. As variáveis foram diferentes em cada ocasião. As análises ocorreram em laboratórios da própria universidade e na Usina Alta Paulista, em Junqueirópolis (SP), cidade onde mora o pesquisador que leciona em cursos do Centro Paula Souza, em Adamantina e Dracena.

Entre as conclusões da pesquisa, consta que a substituição total ou parcial de fonte solúvel de fósforo por uma fonte menos solúvel não alterou a produtividade da cana planta, independente da presença ou não da torta de filtro. Outra constatação é de que a adubação no sulco de plantio com 66% da dose de SS e o restante com FNA aumentou as taxas de fósforo disponível no solo. Não houve efeito das fontes de fósforo e da torta de filtro nos parâmetros tecnológicos da cana-de-açúcar de primeiro corte. O uso de fertilizante mais solúvel não aumentou a produtividade da cana planta, independente da fonte de fósforo utilizada.


O experimento de Oliveira abre possiblidades para novas pesquisas, inclusive nas outras etapas de corte. “Seria uma pesquisa interessante”, disse Brancalião, que compôs a banca com o doutor Carlos Sérgio Tiritan, coordenador da graduação em Agronomia da Unoeste, ao lado do orientador da pesquisa doutor Juliano Calonego. Brancalião elogiou a Unoeste pela qualidade do ensino na graduação e na pós stricto sensu (mestrado e doutorado) em Agronomia. Tiritam agradeceu o avaliador, em nome da instituição, inclusive por ter se descolocado de Botucatu até Prudente, em plena sexta-feira (7).


Na avaliação encerrada no final da tarde, Leandro de Oliveira foi aprovado para receber o título de mestre em Agronomia junto à Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação. Os avaliadores apresentaram propostas de contribuição para que a dissertação possa ser enriquecida, antes que seja oficialmente entregue. Os apontamentos feitos foram recebidos pelo autor da pesquisa como enriquecedores, inclusive na produção de artigo a ser publicado em periódico científico.

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