Emissões de micro-ondas elevam a extração de açúcar da cana

 

Presidente Prudente, sexta-feira 19 de outubro de 2012

O desenvolvimento de pesquisa sobre a emissão de micro-ondas na moagem de cana resulta na constatação da elevação de ganho na extração de açúcar. O percentual é de 2,16% por tonelada. É baixo, mas no montante é significativo. Em dinheiro representa 84 centavos por tonelada. Porém, na produção de 1 milhão de tonelada a usina eleva seu ganho em R$ 840 mil e assim progressivamente. Se forem 3 milhões de toneladas, a vantagem salta para R$ 2,4 milhões.

Para o orientador da pesquisa científica desenvolvida no programa de pós-graduação stricto sensu de Agronomia da Unoeste, doutor Tadeu Alcides Marques, na somatória os valores são astronômicos. Cabe à empresa, que se interessar, viabilizar os estudos de implantação de equipamentos, sendo que a aplicação de emissões de micro-ondas ocorre durante a passagem da cana na moenda. E a tecnologia já existe na China, aplicada em outros produtos.

 

´´Lá eles usam o micro-ondas para secagem de madeira e farinha. Eles produzem o leite longa vida envasados em garrafas de vidro, com o processo de esterilização em micro-ondas``, contou o orientador e disse que essa informação foi obtida durante o transcurso da pesquisa feita pelo técnico em processos químicos industriais Marcos Vinícius Sedano (foto) que atua no setor sucroalcooleiro e leciona em cursos de nível superior. Os experimentos foram feitos durante três meses, de julho a setembro do ano passado.

 

Em síntese, o micro-ondas agita as moléculas da água, rompe a parede celular da cana e extravasa o líquido arrastando o açúcar. É o que explicou Sedano, que em diferentes experimentos encontrou o melhor resultado com a aplicação do micro-ondas em 208,74 watts e no tempo de 39,2 segundos. Utilizou o micro-ondas convencional e trabalhou com 500 gramas de cana em 28 amostragens de repetições. Ao desenvolver comparativo entre as moagens com emissões de micro-ondas e sem, demonstrou que a vantagem do emprego da nova tecnologia é de 2,16% por tonelada de cana processada.  

 

O coordenador do programa de pós da Agronomia, doutor Fábio Fernando de Araújo, na condição de membro da banca avaliadora falou da importância de um trabalho acadêmico tentar solucionar um problema da indústria. Classificou a pesquisa como importante e impactante. Convidada junto a Universidade Estadual de Maringá (UEM), a doutora Maria Heloísa Olsen Neves Scaliante considerou que a pesquisa derivou de necessidade real da indústria, com foco direto na usina.

 

Sedano recebeu elogios pela dissertação desenvolvida em cima da pesquisa e sobre o trabalho foram feitos alguns apontamentos visando a possibilidade de publicação em revista científica. Houve aprovação para que receba o título de Mestre em Agronomia junto a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação. A defesa pública ocorreu na tarde desta quinta-feira (17).  Sedano é morador de Dracena, trabalha como supervisor de controle de qualidade na Usina Alta Paulista, em Junqueirópolis, e leciona na Unoeste.  

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